A GenZ adulta não quer ser tratada como adulta do jeito que você imagina
Pesquisa do InstitutoZ com quase 7 mil jovens brasileiros mostra que marcas ainda erram feio ao retratar a vida adulta da Geração Z

Trope-se
Consultoria de Novas Gerações · 17 de outubro de 2026

Você ainda acha que a GenZ "vira adulta" aos 18 anos e pronto? O estudo "GenZ faz 30 anos: o rito de passagem para a vida adulta", desenvolvido pelo InstitutoZ, núcleo de pesquisa da Trope-se, joga por terra esse estereótipo com dados de quase 7 mil jovens brasileiros entre 17 e 30 anos.
Ser adulto virou processo, não chegada
Para 9 em cada 10 jovens brasileiros ouvidos na pesquisa, a vida adulta mudou. Aquela fronteira clássica entre os 18 e os 25 anos simplesmente deixou de fazer sentido: a adultidade hoje é vivida em camadas, de forma lenta e não-linear. Marcas que insistem em comunicações baseadas nos rituais tradicionais de "independência conquistada" perdem aderência antes mesmo de terminar o anúncio.
O estudo segmentou os entrevistados em três grupos: Sonhadores (17 a 21 anos), Descobridores (22 a 25 anos) e Reorganizadores (26 a 30 anos). E cada grupo carrega tensões bastante distintas, o que por si só já diz muito sobre o erro de tratar a GenZ como bloco uniforme.
Pressão sobe, liberdade cai, ansiedade não para
Os sentimentos revelados pela pesquisa formam um retrato pouco celebratório: a pressão cresce de 16% para 22% como sentimento dominante ao longo dos três grupos. A percepção de liberdade, em sentido oposto, cai de 15% para 11% entre os mais jovens e os mais velhos. A ansiedade, por sua vez, se mantém estável em torno de 18% para todas as faixas, funcionando como uma condição de fundo que não some com o tempo.
Mais da metade dos Reorganizadores, 52% dos jovens entre 26 e 30 anos, ainda se sentem atrasados em relação aos outros. A comparação social não diminui com a idade. Para as marcas, isso é um sinal claro: comunicação que valida ritmos individuais cria vínculo onde a maioria dos discursos só gera distância.
Nostalgia como estratégia, mas com cuidado
78% dos respondentes afirmam sentir falta do passado. A saudade do início da vida adulta salta de 4% para 18% entre Descobridores e Reorganizadores, o que ajuda a explicar o apelo de categorias como vinis e câmeras analógicas junto a esse público. A pesquisa, porém, faz um alerta importante: nostalgia como estratégia exige entender sua função emocional real, não só usar a estética retrô como atalho de conexão.
O recado do estudo é direto. A GenZ adulta quer ser vista onde está, não onde a marca imagina que ela deveria estar. Quem continuar projetando uma adultidade pronta e ordenada nesse público vai continuar falando sozinho.
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